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Linguagem simples no serviço público: como melhorar a comunicação

há 1 dia
10 min de leitura

Entenda como a linguagem simples melhora a comunicação pública e veja práticas para tornar serviços e informações municipais mais acessíveis.


Entenda como a linguagem simples melhora a comunicação pública e veja práticas para tornar serviços e informações municipais mais acessíveis.

A comunicação pública só cumpre seu papel quando as pessoas conseguem encontrar, compreender e utilizar as informações. Entenda o que é linguagem simples, conheça as diretrizes da legislação brasileira e veja como os municípios podem tornar seus serviços mais acessíveis.


Uma prefeitura pode oferecer bons serviços, manter um portal atualizado e investir em tecnologia, mas ainda encontrar dificuldades para se comunicar com a população. Isso acontece quando as informações são difíceis de localizar, utilizam termos burocráticos ou não deixam claro o que o cidadão precisa fazer.

A linguagem simples no serviço público busca resolver esse problema. Ela utiliza técnicas de escrita, organização visual e apresentação da informação para que as pessoas encontrem o que procuram, compreendam a mensagem e consigam agir a partir dela.


No Brasil, o tema ganhou um marco legal específico com a Lei nº 15.263, de 14 de novembro de 2025, que instituiu a Política Nacional de Linguagem Simples para os órgãos e entidades da administração pública direta e indireta de todos os Poderes, em âmbito federal, estadual, distrital e municipal.


Mais do que uma questão de estilo, comunicar com clareza é parte da qualidade dos serviços públicos. Afinal, uma informação que existe, mas não é compreendida, nem sempre consegue cumprir sua finalidade.


O que é linguagem simples na comunicação pública?


Linguagem simples é uma abordagem que torna as informações mais claras, objetivas e fáceis de utilizar. Ela considera não apenas as palavras escolhidas, mas também a estrutura do texto, a organização das informações e a forma como a mensagem é apresentada.


O objetivo não é simplificar excessivamente assuntos complexos nem eliminar informações importantes. É organizar o conteúdo para que o público compreenda o que precisa saber sem enfrentar barreiras desnecessárias.


Imagine uma página municipal que informa sobre a inscrição em uma oficina cultural.

Se o texto começa com explicações administrativas, cita várias siglas e deixa o prazo de inscrição escondido no último parágrafo, o cidadão precisa fazer um esforço adicional para encontrar o que procura.


Uma comunicação mais clara apresenta primeiro as informações essenciais:


Quem pode participar?


Quando acontecem as inscrições?


Onde fazer a inscrição?


Quais documentos são necessários?


Existe algum custo?


Com quem falar em caso de dúvida?


A diferença está em partir da necessidade da pessoa, e não da estrutura interna do órgão público.


O que diz a Lei nº 15.263/2025 sobre linguagem simples?

A Lei nº 15.263/2025 instituiu a Política Nacional de Linguagem Simples e estabeleceu diretrizes para a comunicação da administração pública com a população.

Entre as técnicas previstas na legislação estão o uso de frases curtas, a preferência por palavras de fácil compreensão, a apresentação das informações mais importantes primeiro e a organização do conteúdo com listas, tabelas e recursos gráficos quando apropriado. A lei também orienta a redação em ordem direta e a explicação de termos técnicos e siglas.


O alcance da política inclui os municípios. Portanto, prefeituras, secretarias, fundações públicas e outros órgãos municipais precisam considerar a linguagem simples em suas comunicações com os cidadãos.


A legislação pode ser consultada no texto oficial da Lei nº 15.263/2025, no Portal da Legislação do Governo Federal⁠.


Para as administrações municipais, o desafio prático é transformar essas diretrizes em hábitos de trabalho. Isso envolve revisar documentos, páginas de serviços, comunicados, formulários, orientações de atendimento e outros conteúdos dirigidos à população.


Por que a linguagem simples melhora os serviços municipais?

A clareza da comunicação influencia diretamente a experiência do cidadão. Quando uma informação é difícil de entender, a pessoa pode precisar telefonar, deslocar-se até uma unidade pública ou pedir ajuda a alguém para realizar uma tarefa que deveria ser simples.


A linguagem simples pode contribuir para reduzir essas dificuldades.


1. Facilita o acesso aos serviços

Uma página de serviço bem organizada permite que o cidadão identifique rapidamente os requisitos, os prazos e os próximos passos.

Isso é importante em situações cotidianas, como solicitar um documento, consultar um benefício, inscrever uma criança em uma atividade ou participar de um programa municipal.


2. Reduz dúvidas evitáveis no atendimento

Quando os comunicados deixam perguntas importantes sem resposta, as equipes de atendimento precisam esclarecer repetidamente as mesmas informações.

Uma comunicação mais clara pode diminuir parte dessas dúvidas e permitir que os servidores dediquem mais tempo aos casos que realmente exigem atendimento individualizado.


3. Fortalece a transparência pública

Publicar informações não significa, por si só, garantir que elas sejam compreendidas.

A transparência se torna mais efetiva quando a população consegue entender decisões, procedimentos, oportunidades e regras que afetam sua vida.


4. Favorece a inclusão

Pessoas com diferentes níveis de escolaridade, familiaridade com tecnologia e necessidades de acessibilidade utilizam os serviços públicos.

Textos objetivos, bem estruturados e acompanhados de recursos visuais adequados podem reduzir barreiras de compreensão. A linguagem simples também complementa outras medidas de acessibilidade, sem substituí-las.


5. Ajuda a aproximar o poder público das pessoas

A forma de comunicar também influencia a percepção que a população tem da instituição.

Uma mensagem direta, respeitosa e útil demonstra que o órgão público considera o tempo, as dúvidas e as necessidades de quem utiliza seus serviços.


Como aplicar a linguagem simples em uma prefeitura?

A adoção da linguagem simples não precisa começar com uma grande reformulação de todos os materiais institucionais. Uma estratégia prática é selecionar conteúdos prioritários, testar mudanças e ampliar o trabalho gradualmente.


1. Comece pelas informações que as pessoas mais procuram

Identifique os serviços que geram mais dúvidas, reclamações ou solicitações de esclarecimento.

Podem ser páginas sobre matrícula escolar, vacinação, coleta de resíduos, atividades culturais, emissão de documentos, turismo, assistência social ou inscrições em programas municipais.

A prioridade deve ser tornar mais acessíveis as informações que afetam diretamente a vida das pessoas.


2. Coloque a informação principal no início

O cidadão não deveria precisar ler vários parágrafos para descobrir o prazo de inscrição ou o endereço de atendimento.

Organize o conteúdo de acordo com as perguntas que o público precisa responder.


Uma estrutura útil inclui:


O que é o serviço ou atividade.

Quem pode utilizar ou participar.

O que é necessário.

Onde e quando realizar o procedimento.

Qual é o prazo.

Onde obter ajuda.


Nem todos os serviços precisam da mesma estrutura. O importante é que as informações essenciais estejam visíveis e organizadas.


3. Substitua expressões burocráticas por instruções claras

Compare os exemplos:

Antes: “O munícipe deverá comparecer à unidade administrativa munido da documentação pertinente para formalização do requerimento.”

Depois: “Vá até a unidade de atendimento e leve os documentos necessários para fazer a solicitação.”

Outro exemplo:

Antes: “A solicitação deverá ser protocolizada no prazo estabelecido no instrumento convocatório.”

Depois: “Envie o pedido até a data indicada no edital.”

A mudança não está em eliminar a precisão, mas em tornar a orientação mais direta. Quando um termo técnico ou jurídico for indispensável, explique seu significado.


4. Organize o conteúdo para leitura em telas e no papel

A linguagem simples também depende da apresentação visual.

Blocos longos de texto, letras pequenas, excesso de informações na mesma página e títulos pouco informativos dificultam a localização do conteúdo.


Algumas medidas ajudam:


Utilize títulos que expliquem o assunto de cada seção.

Prefira parágrafos curtos.

Apresente etapas em listas numeradas.

Destaque prazos, locais e documentos necessários.

Use tabelas quando elas facilitarem uma comparação.

Garanta contraste adequado entre texto e fundo.

Ofereça alternativas acessíveis para conteúdos visuais.

Evite depender exclusivamente de cores, ícones ou imagens para transmitir informações essenciais.


A Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico disponibiliza materiais sobre linguagem simples, inclusive orientações voltadas a interfaces digitais, que podem apoiar equipes responsáveis pela comunicação pública. Consulte a página institucional sobre linguagem simples da ANA⁠.


5. Adapte a mensagem ao canal de comunicação

Uma informação municipal pode aparecer no portal da prefeitura, nas redes sociais, em um cartaz, em um atendimento presencial ou em uma interface digital instalada em um espaço público.

O conteúdo essencial deve permanecer consistente, mas a apresentação precisa considerar o contexto.

Uma publicação em rede social pode destacar uma novidade e encaminhar o público para mais detalhes. Uma página de serviço deve explicar o procedimento completo. Um aviso em uma unidade de atendimento precisa privilegiar instruções imediatas.

Em um museu, uma biblioteca ou um ponto turístico, por exemplo, o visitante pode estar procurando uma informação específica naquele momento. Textos curtos, contextualizados e organizados por assunto ajudam a responder a essa necessidade.

A tecnologia pode ampliar as possibilidades de distribuição da informação, mas não corrige automaticamente um conteúdo mal escrito.


6. Teste os textos com pessoas reais

Uma das formas mais úteis de verificar a clareza de uma comunicação é observar alguém tentando utilizá-la.


Escolha um texto de serviço e peça a algumas pessoas que respondam a perguntas simples:

O que você entendeu que precisa fazer?

Quem pode utilizar esse serviço?

Qual é o prazo?

Onde você encontraria mais informações?

Existe alguma parte que deixou dúvidas?


Se as pessoas interpretarem a mensagem de maneiras muito diferentes ou não encontrarem uma informação importante, o texto precisa ser revisto.

Esse teste pode ser feito com recursos simples, sem exigir uma pesquisa extensa. O objetivo é identificar obstáculos concretos antes de ampliar a divulgação.


Como a tecnologia pode ampliar o alcance da informação pública?

A transformação digital dos municípios não depende apenas da criação de aplicativos ou da migração de serviços para a internet. Também exige pensar em como a informação chega às pessoas em diferentes momentos e ambientes.


Nem todo cidadão procura uma informação diretamente no portal da prefeitura. Um visitante pode ter uma dúvida ao chegar a um museu. Uma família pode buscar uma atividade cultural em uma biblioteca. Um turista pode querer descobrir o que conhecer nas proximidades.


Nesses contextos, interfaces digitais instaladas em espaços físicos podem funcionar como pontos adicionais de acesso ao conteúdo.


Uma plataforma como a Flash Reader, que utiliza totens interativos para disponibilizar informações e conteúdos sob demanda, ilustra uma possibilidade: aproximar a informação do lugar em que ela pode ser útil.


Em um espaço cultural, por exemplo, a tecnologia pode apresentar curiosidades sobre o acervo, informações sobre escritores locais, orientações para visitantes ou conteúdos educativos. Dependendo da configuração, essas informações também podem ser disponibilizadas em formato impresso.


O princípio é o mesmo da linguagem simples: facilitar o encontro entre a informação e a pessoa que precisa dela.


Para que essa estratégia funcione, o conteúdo deve ser relevante para o contexto, atualizado, fácil de compreender e organizado de acordo com as necessidades do público. A interface tecnológica é um meio para alcançar esse resultado, não o resultado em si.


O que a linguagem simples tem a ver com SEO e mecanismos de busca com inteligência artificial?

A clareza também importa para quem publica conteúdo na internet.

Mecanismos de busca tradicionais e sistemas de inteligência artificial precisam identificar o assunto de uma página, compreender suas informações e relacioná-las às perguntas dos usuários. Textos bem estruturados facilitam esse trabalho, embora não garantam, isoladamente, melhor posicionamento ou citações por sistemas de IA.


Para tornar um artigo ou uma página municipal mais compreensível, algumas práticas são especialmente úteis.


Responda à pergunta principal logo no início

Se a página trata de inscrições em oficinas culturais, explique logo no começo o que são as oficinas, quem pode participar e como se inscrever.


Evite longas introduções institucionais antes da informação que motivou a busca.


Utilize títulos que indiquem o conteúdo

Títulos como “Como se inscrever nas oficinas culturais” são mais informativos do que expressões genéricas como “Saiba mais”.

Os subtítulos devem organizar o assunto e ajudar tanto o leitor quanto os sistemas automatizados a identificar cada parte do texto.


Explique siglas, termos e conceitos

Não presuma que todos conhecem a estrutura administrativa do município ou o vocabulário de uma secretaria.


Apresente o nome completo antes da sigla e explique os termos técnicos quando necessário.


Inclua perguntas frequentes quando elas forem relevantes


Uma página sobre determinado serviço pode responder a dúvidas como:

Quem pode solicitar o serviço?

Quais documentos são necessários?

Existe algum custo?

Quanto tempo demora?

Onde buscar atendimento?


As respostas devem ser objetivas e corresponder às regras reais do serviço. Não é necessário criar perguntas artificiais apenas para inserir palavras-chave.


Mantenha as informações atualizadas

Prazos vencidos, telefones incorretos e orientações desatualizadas prejudicam a experiência do cidadão e reduzem a confiabilidade do conteúdo.


Sempre que possível, indique a data de atualização e estabeleça uma rotina de revisão.

O objetivo não é escrever para algoritmos em vez de pessoas. É produzir conteúdo claro, confiável e bem organizado, capaz de responder às necessidades reais do público.


Como medir se a comunicação ficou mais clara?

A implantação da linguagem simples pode ser acompanhada por indicadores práticos.

Em vez de avaliar somente a quantidade de páginas revisadas, a gestão municipal pode observar se as mudanças facilitaram o uso das informações.


Alguns indicadores possíveis são:

Dúvidas recorrentes no atendimento

Se determinadas orientações continuam gerando confusão

Acessos às páginas de serviços

Como o público utiliza as informações digitais

Conclusão de procedimentos

Se as pessoas conseguem avançar pelas etapas de um serviço

Resultados de testes de compreensão

Se os usuários entendem as instruções apresentadas

Atualização dos conteúdos

Se as informações permanecem corretas e úteis

Avaliação dos usuários


Como a população percebe a clareza das mensagens

Esses indicadores precisam ser interpretados em conjunto. Uma redução no número de atendimentos, por exemplo, pode ter diferentes causas. Para saber se a comunicação melhorou, é importante relacionar os dados ao serviço analisado e, quando possível, ouvir os usuários.


A tecnologia pode ajudar a registrar acessos e interações, mas a avaliação da qualidade da comunicação também exige análise humana e atenção ao contexto.

Perguntas frequentes sobre linguagem simples no serviço público


O que é linguagem simples?

É uma abordagem de comunicação que utiliza palavras compreensíveis, frases diretas e uma estrutura organizada para ajudar as pessoas a encontrar, entender e utilizar informações.


A linguagem simples é obrigatória para as prefeituras?

A Lei nº 15.263/2025 instituiu a Política Nacional de Linguagem Simples para a administração pública direta e indireta de todos os Poderes da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios. A legislação estabelece diretrizes para a comunicação com a população.


Linguagem simples significa retirar informações importantes?

Não. O objetivo é preservar as informações necessárias e apresentá-las de forma mais compreensível. Quando um termo técnico ou jurídico for indispensável, seu significado pode ser explicado.


Como uma prefeitura pode começar a aplicar a linguagem simples?

Uma boa estratégia é selecionar páginas de serviços ou comunicados que geram muitas dúvidas, revisar a redação, organizar melhor as informações e testar os novos textos com usuários.


A linguagem simples ajuda no SEO?

Ela pode contribuir para a qualidade do conteúdo ao favorecer títulos informativos, respostas diretas, organização temática e melhor compreensão. Esses elementos ajudam os leitores e podem facilitar a interpretação do conteúdo pelos mecanismos de busca, mas não garantem posições específicas nos resultados.


A tecnologia substitui a necessidade de uma comunicação clara?

Não. Portais, aplicativos, totens e outras interfaces podem ampliar o acesso à informação, mas precisam apresentar conteúdos compreensíveis, corretos e adequados às necessidades das pessoas.



A linguagem simples aproxima a administração pública da população porque transforma informações institucionais em orientações que as pessoas conseguem compreender e utilizar.


Para os municípios, essa mudança envolve revisar textos, organizar serviços, testar conteúdos com usuários e considerar os diferentes canais pelos quais a informação chega ao cidadão.


Também significa reconhecer que a comunicação pública não termina quando uma notícia é publicada ou uma página é colocada no ar. Ela cumpre sua função quando a pessoa encontra a informação necessária, entende o que precisa fazer e consegue avançar com autonomia.


Na inovação pública, esse princípio deve orientar tanto o desenvolvimento das tecnologias quanto a produção dos conteúdos que elas disponibilizam.

Afinal, uma cidade mais conectada não é apenas aquela que oferece mais canais digitais, mas aquela que torna suas informações mais úteis, acessíveis e compreensíveis para as pessoas.


Sua comunicação pública é fácil de entender?

Escolha uma página de serviço, um comunicado ou uma orientação publicada pelo seu município. Leia o conteúdo como se fosse um cidadão que precisa daquela informação pela primeira vez.

As instruções estão claras? Os prazos e os próximos passos estão fáceis de encontrar? O texto responde às dúvidas mais importantes?

Pequenas revisões podem tornar a comunicação mais acessível e melhorar a experiência da população.

Conheça como a tecnologia pode ampliar os pontos de acesso à informação e aos conteúdos culturais com a Flash Reader.

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