O que diz a pesquisa Retratos da Leitura 2024 — e o que fazer com esses dados
- Flash Reader

- 2 de jun.
- 4 min de leitura
A pesquisa Retratos da Leitura 2024 revelou que o Brasil perdeu 6,7 milhões de leitores em quatro anos. Entenda os dados e como soluções como o totem Flash Reader respondem a esse cenário.

Em novembro de 2024, o Instituto Pró-Livro divulgou a 6ª edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil — o estudo mais completo sobre o comportamento leitor do brasileiro, realizado a cada cinco anos com mais de 5.500 entrevistados em 208 municípios.
Os resultados foram amplamente noticiados. E por uma razão simples: pela primeira vez desde que a pesquisa existe, o número de não leitores no Brasil superou o de leitores.
Para quem trabalha com incentivo à leitura, os dados não são apenas estatísticas. São um diagnóstico — e uma oportunidade.
O que a pesquisa Retratos da Leitura 2024 revelou
O Brasil perdeu leitores. Em 2024, 47% da população com mais de cinco anos leu pelo menos um livro nos três meses anteriores à pesquisa — contra 52% em 2019. Em termos absolutos, o país saiu de 100,1 milhões de leitores para 93,4 milhões: uma perda de cerca de 6,7 milhões de pessoas.
Livros inteiros são lidos por menos gente. Considerando apenas quem leu um livro inteiro no período da pesquisa, o número cai para 27% da população. A média de livros lidos nos três meses anteriores à pesquisa também recuou, de 2,6 para 2,4.
A falta de tempo lidera as desculpas. Entre os leitores que gostariam de ter lido mais, 55% apontaram a falta de tempo como principal barreira. Entre os não leitores, o motivo mais citado foi não gostar de ler (33%) — mas uma parcela significativa disse simplesmente nunca ter tido o hábito formado.
Mulheres leem mais que homens. 50,4% das mulheres entrevistadas são leitoras, contra 42,9% dos homens. A diferença se mantém estável em relação a edições anteriores.
Escolaridade define o acesso. A maioria dos leitores no Brasil tem ensino médio completo (36%). Entre os de menor escolaridade, o índice de leitura cai significativamente — um dado que aponta diretamente para a desigualdade no acesso à cultura.
75% gostariam de ler mais. Esse é talvez o número mais relevante de toda a pesquisa. Três em cada quatro brasileiros declaram querer ler mais do que leem. O problema, portanto, não é ausência de interesse — é ausência de acesso, de tempo e de formatos adequados.
O que os dados dizem, nas entrelinhas
Uma leitura superficial da pesquisa pode levar à conclusão de que o brasileiro simplesmente não quer ler. Os dados contam uma história diferente.
A barreira número um é o tempo. Em um país onde a jornada de trabalho é longa e os deslocamentos são extensos, pegar um livro requer uma disponibilidade que grande parte da população não tem. Não é falta de vontade — é uma conta de horas que não fecha.
A barreira número dois é o formato. O livro impresso exige concentração prolongada, espaço físico e, muitas vezes, dinheiro. O livro digital exige dispositivo, conexão e familiaridade com plataformas. Nenhum dos dois foi desenhado para funcionar nos dez minutos de espera em uma fila de banco, em uma sala de espera de clínica ou no intervalo de um atendimento público.
A barreira número três é o hábito — ou a ausência dele. Hábitos se formam por repetição em ambientes que facilitam o comportamento. Quando a leitura não está disponível nos lugares onde as pessoas já estão, ela continua sendo uma intenção que nunca se concretiza.
O que fazer com esses dados
A pesquisa Retratos da Leitura não foi criada para produzir pessimismo. Foi criada, nas palavras do próprio Instituto Pró-Livro, para "orientar políticas públicas e inspirar ações concretas de incentivo à leitura".
O caminho que os dados apontam é claro: levar a leitura até onde as pessoas já estão, em formatos que caibam no tempo que elas têm.
É exatamente esse princípio que orienta o trabalho da Flash Reader desde 2023. Os totens interativos instalados em bibliotecas, hospitais, museus, secretarias, universidades e hotéis não competem com o livro — eles criam o primeiro contato. Uma fábula impressa em uma sala de espera. Um poema levado para casa da recepção de uma secretaria. Um conto de fadas escolhido por uma criança enquanto espera a mãe ser atendida.
Os dados da Flash Reader confirmam o que a pesquisa nacional indica: quando o acesso é simples, gratuito e imediato, as pessoas leem. Mais de 56 mil impressões registradas desde 2024, em espaços públicos e privados de Santa Catarina e São Paulo, são a resposta prática a um problema que o Retratos da Leitura continua documentando.

Para gestores e educadores: o que fazer agora
A pesquisa Retratos da Leitura está disponível gratuitamente no site do Instituto Pró-Livro. Para prefeituras, secretarias de educação e cultura, e gestores de espaços públicos, ela oferece dados por região e unidade da federação — o que permite comparar o perfil do município com o cenário nacional e identificar onde a intervenção é mais urgente.
A Flash Reader disponibiliza, junto com cada equipamento instalado, relatórios mensais de uso com dados locais: quais conteúdos foram mais acessados, quantas impressões foram realizadas e qual o perfil de uso por período. Esses dados locais, cruzados com a pesquisa nacional, constroem um argumento sólido para políticas públicas de incentivo à leitura baseadas em evidências.
Se sua cidade ainda não tem um projeto estruturado de incentivo à leitura, os dados do Retratos da Leitura 2024 mostram por que esse deveria ser um dos próximos passos.
Sobre a Flash Reader
A Flash Reader desenvolve totens interativos de leitura instalados em espaços públicos e privados em Santa Catarina e São Paulo. Foi fundada em Videira em 2023, com apoio da Fapesc e do Sebrae SC, e conquistou o 1º lugar no Programa BRDE Labs em parceria com a ACATE.



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