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O que as mais de 1.300 leituras na Biblioteca Municipal de Chapecó revelam sobre os hábitos de leitura no Brasil

Do quadro nacional ao totem da Biblioteca Municipal: o Brasil perdeu leitores, Chapecó é a cidade com menos leitores de Santa Catarina, e os dados de uma única instalação mostram que o problema não é falta de vontade — é falta de encontro. Do cenário nacional ao totem da Biblioteca Municipal: entenda por que os hábitos de leitura no Brasil estão em queda — e o que os dados locais mostram de diferente.


47%

dos brasileiros leram um livro nos últimos 3 meses (2024)

57,2%

dos chapecoenses são leitores — menor taxa de SC

1.613

impressões no totem da Biblioteca Municipal de Chapecó


O CENÁRIO NACIONAL

Pela primeira vez, o Brasil tem mais não leitores do que leitores

O dado mais alarmante da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil (6ª edição, 2024) é histórico: desde 2007, quando a série começou, nunca houve tanta gente que simplesmente não leu. Em 2024, apenas 47% dos brasileiros leram ao menos parte de um livro nos três meses anteriores à pesquisa — contra 52% em 2019.

O Brasil perdeu 6,7 milhões de leitores desde 2019. A média de livros lidos por ano chegou ao menor nível da série histórica: 3,96 por pessoa.

Entre os leitores, 75% gostariam de ter lido mais, mas citam a falta de tempo como principal obstáculo (46%). Já quem não lê aponta 'não gostar' e 'falta de paciência' — o que sugere que o problema é acima de tudo cultural: a leitura nunca chegou a ser um hábito construído.

 

Motivações para leitura e principais barreiras · Brasil 2024

Gostar de ler

26%

Distração / entretenimento

15%

Atualização cultural

15%

Falta de tempo (barreira)

46%

Fonte: Instituto Pró-Livro — Retratos da Leitura no Brasil, 6ª ed. (2024)

 

O perfil do leitor tem contornos claros. As mulheres leem mais em todas as regiões e faixas etárias. Crianças e adolescentes ainda são o grupo com maior proporção de leitores — mas à medida que crescem, a leitura motivada pelo prazer pessoal vai cedendo espaço para a obrigação, e depois desaparece. A escola forma leitores compulsórios, não apaixonados.

 

O CENÁRIO DE CHAPECÓ

Santa Catarina lidera o país — mas Chapecó fica para trás

Quando a pesquisa revelou que Santa Catarina é o estado com maior proporção de leitores no país (64%), pareceu uma boa notícia para todos os catarinenses. Mas um olhar mais cuidadoso mostra que essa média esconde realidades muito distintas.

Segundo o levantamento Retrato do Consumidor do Sebrae SC (2025), feito com as principais cidades do estado, Chapecó registrou apenas 57,2% de leitores — a menor taxa entre todas as cidades pesquisadas.

 

FLORIANÓPOLIS

71,6%

leitores regulares

CHAPECÓ

57,2%

leitores regulares — menor de SC

 

A diferença não é acidente — é estrutural. Renda e escolaridade são os dois fatores que mais influenciam o hábito de leitura no Brasil. Quanto maior a concentração de pessoas com ensino superior e renda mais alta, maior a taxa de leitores.

42,8% dos chapecoenses ainda não têm hábito de leitura estabelecido. Um público enorme — que já frequenta bibliotecas, hospitais e centros de inovação.

 

A RESPOSTA LOCAL

Uma impressora de histórias no coração da biblioteca para desenvolver hábitos de leitura no Brasil

O Flash Reader é uma plataforma de incentivo à leitura que funciona por meio de totens interativos instalados em espaços públicos — bibliotecas, hospitais, universidades, museus e centros de inovação. No totem, o usuário escolhe uma categoria literária e imprime gratuitamente um texto para ler em um, dois, cinco minutos — ou mais. Sem cadastro, sem fila, sem custo.

O totem instalado na Biblioteca Municipal de Chapecó acumula dados desde o início de 2026. Entre 1º de janeiro e 12 de junho, foram 1.613 impressões — 1.613 momentos em que alguém escolheu parar, escolher e ler.


"E se a leitura chegasse até as pessoas, em vez de as pessoas precisarem ir até ela?" Essa pergunta fundou o Flash Reader — e os dados de Chapecó começam a respondê-la.

Do quadro nacional ao totem da Biblioteca Municipal: o Brasil perdeu leitores, Chapecó é a cidade com menos leitores de Santa Catarina, e os dados de uma única instalação mostram que o problema não é falta de vontade — é falta de encontro. Do cenário nacional ao totem da Biblioteca Municipal: entenda por que os hábitos de leitura no Brasil estão em queda — e o que os dados locais mostram de diferente.

O QUE AS PESSOAS ESCOLHEM

Contos de fadas lideram — tirinhas surpreendem em segundo

Quando a escolha é livre, sem obrigação escolar nem recomendação de algoritmo, o que as pessoas pegam? Os dados do FR014 mostram preferências claras e algumas surpresas.

 

Impressões por categoria · Jan–Jun 2026

Contos de fadas

478 vezes

Tirinhas

433 vezes

Fábulas

114 vezes

Capítulos de livros

98 vezes

Esp. Copa do Mundo

82 vezes

Poesias

82 vezes

História de Chapecó

62 vezes

Contos e Crônicas

57 vezes

Escritores chapecoenses

57 vezes

Histórias clássicas

45 vezes

Escritoras brasileiras

40 vezes

Fairy tales

35 vezes

Sel. @josiesuabiblioteca

20 vezes

 

O QUE OS NÚMEROS DIZEM

Três leituras dos dados

•        Narrativa e afeto vencem o canônico. Contos de fadas e Tirinhas juntos representam 56% de todas as impressões. São formatos com algo em comum: narrativa rápida, personagens marcantes, linguagem que não exige esforço de entrada. Quando a leitura é voluntária, as pessoas escolhem o que as acolhe.

•        O local importa. História de Chapecó e Escritores chapecoenses somados superam Histórias clássicas e Escritoras brasileiras . O interesse pela cultura local pode ser uma porta de entrada ainda pouco explorada.

•        Fábulas resistem ao tempo. Com 114 impressões, as fábulas ocupam o terceiro lugar. Um formato com séculos de existência ainda encontra público. Isso questiona a ideia de que as pessoas não querem ler — talvez o problema seja mais de acesso do que de disposição.

•        Um dado pelo contraste. Mensagem diária registrou zero impressões. O público da biblioteca busca narrativas completas — começo, meio e fim. A curadoria precisa conversar com quem está do outro lado do totem.

 

O Flash Reader não depende de tempo livre programado — a leitura acontece na espera, no intervalo, no trajeto.

 

CONCLUSÃO

1.613 razões para acreditar que é possível

O que o totem FR014 mostra é simples: quando a leitura está disponível no caminho das pessoas — sem custo, sem cadastro, num espaço que já frequentam — ela acontece. Mais de 1.600 vezes em menos de seis meses, numa única instalação, numa cidade onde menos de 6 em cada 10 pessoas se declaram leitoras.

Isso não resolve o problema. Mas aponta uma direção: o desafio da leitura no Brasil não é só de conteúdo, é de presença. A leitura precisa chegar até as pessoas antes de pedir que as pessoas venham até ela.

O Flash Reader opera também em Fraiburgo, Videira, Caçador, São Paulo e Rio das Antas — em hospitais, universidades, museus e centros de inovação. Se você gerencia um desses espaços e quer saber como isso pode funcionar por lá, acesse flashreader.org.

 

Fontes: Sebrae SC — Retrato do Consumidor (2025); Instituto Pró-Livro — Retratos da Leitura no Brasil, 6ª edição (2024); Dados primários: Totem FR014, Biblioteca Municipal de Chapecó, 01/01/2026 a 12/06/2026.


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